A Psicomotricidade desempenha um papel determinante no
desenvolvimento infantil e na aprendizagem da criança.
Desde o nascimento que é através da motricidade, particularmente
da variação do tónus (grau de tensão muscular), que o
bebé exprime as suas necessidades, constituindo, então, a primeira forma de
expressão emocional, que compreende uma dimensão afetiva e comunicativa, ainda
que não-verbal para com o presta
dor de cuidados.
Após a relação e correlação com os outros, a motricidade da
criança vai-se ocupar principalmente com a exploração do meio exterior,
nomeadamente os objetos. E para adquirir o conhecimento acerca destes últimos,
formando conceitos, a criança tem que agir sobre eles corporalmente, o que acontece
de forma mais notória quando a criança começa a gatinhar e posteriormente quando
adquire a marcha.
Mais tarde, na idade escolar, a correlação entre a
psicomotricidade e o desenvolvimento típico da criança encontra-se evidenciada
pelos inúmeros estudos que constatam que as aprendizagens escolares estão
dependentes da integração de fatores psicomotores, como o conhecimento do
corpo, do espaço, do tempo, dos objetos e das relações que a criança estabelece com eles, numa fase
anterior.
Assim, geralmente
as crianças com dificuldades psicomotoras vão apresentar consequentemente dificuldades
de aprendizagem, nomeadamente ao nível da atenção, da leitura, da escrita, do
cálculo e da socialização.
Uma agravante dos últimos tempos relativamente ao desenvolvimento
psicomotor prende-se com as mudanças sociais que têm ocorrido, especialmente ao nível dos contextos de vida
da criança (ambiente urbano, poucos espaços verdes, recreios com equipamentos
pobres) e rotinas familiares (pouco tempo partilhado em conjunto e excesso de
atividade extracurriculares), culminando num curto espaço de brincadeira e
exploração do ambiente pelas crianças e, consequentemente, numa fraca atividade
motora, de jogo e de socialização, que podem estar na origem das dificuldades psicomotoras.
É assim de extrema importância alertar a população parental para que a existência
de tempo na rotina diária da criança dedicada ao jogo livre seja uma realidade.
Proporcionar atividades como o correr, saltar a pés juntos ou ao pé-coxinho,
lançar, chutar bolas, andar sobre uma linha, modelar plasticina, fazer fios de
missangas ou massas, jogos de encaixes, abotoar e desabotoar, lançar objetos a
um alvo, entre outras, constitui uma mais-valia no quotidiano da criança,
facilitando o seu desenvolvimento global.
Filipa Simões
Técnica Superior de Reabilitação Psicomotora
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